quarta-feira, 19 de outubro de 2011

carta de des-amor-ilusão ou carta de amor a mim mesma

nosso amor tinha tudo para ser perfeito, baby. Coisa de felizes para sempre, contos de fadas e tudo mais. E olha que eu nem mais acreditava naquela coisa de principe encantado! só que vc chegou montado num cavalo branco, e ainda dizendo que era filho de rei. seu manto era tão precioso que acabei caindo no conto... Mas aí foi vc q percebeu q eu não era donzela. tava mais para amazona, e das bravas!! você é do tipo que vem comendo pelas beiras, e eu não, eu meto o garfo na gema, espalho tudo no arroz e enfio a garfada na boca. sem dó. (aprendi a comer tudo misturado pra não sentir o sabor ruim das coisas em separado. E meto tudo numa garfada só que é pra não ficar enrolando e pensando na vida enquanto como...) Nosso problema foi de metodologia. juro que foi sem querer, baby. Foi só reação automática de animalzinho machucado, sabe? Mas a primeira impressão é o que fica, pra vc ficou. Tanto que vc quis fundamentar... e conseguiu!! Desenterrou o meu passado, jogou sujo na campanha, - e agora eu me gabo: há! hoje mesmo eu descobri q vc não descobriu nem metade, pq eu mesma nem lembrava das armadas. Apesar de que vc inventou uma outra metade para si e criou a história completa - . Jogou sujo na campanha, popularidade foi lá embaixo, o eleitor ficou indeciso, só que agora no 5º turno a minha equipe de boca de urna tá cansada, tão exigindo pagamento adiantado e eu quebrei, baby. No sentido financeiro e quase no sentido figurado. porque na verdade, acho que é agora mesmo que eu botei meu coração no lugar - no amor, Meu amor, pra mim, amor próprio! porque te amo e te amei demais, como os outros, mais que os outros, a você eu amei de verdade, amei mais que o amor Eu Te Amo. Você quebrou todas as minhas barreiras, pegou o quadrinho que eu pintei com a minha idéia de mundo, jogou no chão e pisou em cima daquela merda! mostrou que o que eu tinha feito era grotesco, me ajudou a desenhar outras paisagens, me fazendo lembrar do que já fui... pro bem e pro mal. Só que aí a parte do mal vc não gostou. Foi mal, baby. Você não gostou mas eu sou assim, uma pessoa real. tão real que tenho defeitos e choro à noite no travesseiro, ainda que no passado, tão real que tenho vontade e desejo de ter o cabelo curto pra passar a mão nele espalhando e bagunçando e sentindo os meus dedos no couro cabeludo, pra pintar ele de colorido sem precisar ficar indo no salão, pra ter a nuca fresquinha, pra me sentir bonita! Sim, sou tão real que tenho todas essas sensações!! Sou tão real que tenho passado, um passado chato, umas coisas meio palhas, mas tenho também poder de decisão e decidi ficar contigo pro que der e vier.Desculpa, baby, não percebi que na verdade vc só precisava do contigo, sem o que der e vier.
Mas pelo menos uma coisa tem de bom. Voltei a escrever. Perdi o sono, mas ganhei a madrugada.

E o que será de nós, amor-quase-perfeito? Estou pronta para tudo. Agora nada mais me assusta, nada me abala. Porque eu tenho a mim para cofiar, e acho bonito isso. Gosto da minha pessoa, porque sei que tem uma força que me ampara aonde quer que eu vá, seja quando for. Sinto as mãos geladas e o frio nos ombros, escuto a noite lá fora, e ela é minha amiga. Os galos festejam - não tem mais medos. Seja o que for, eu vou. Beijos!


(Sei não. É que me confunde essa história toda de "Ainda bem que você está na minha vida" e "penso o que teria sido de mim se a gente não tivesse ficado junto" quando vc briga comigo porque eu disse que iria cortar o cabelo. Era pra gente ter sido amigo, então? Olha, mas foi você que não quis! Você pediu para eu entregar o livro pra Tati e me bloqueou do seu msn, e olha que a gente tava longe!! Eu só queria ter você por perto, conversar, trocar experiências, enfim, conviver. Aceitaria numa boa a amizade, até mesmo por já ter percebido que em alguns pontos, éramos incompatíveis. Mas vc me deu uma escolha: Topa ou não topa??? e eu senti que era tudo ou nada, era vc ou não vc, ou é ou deixe de é. É. era, foi. eu mudei tudo que pude. Eu joguei fora o meu quadrinho, comecei a pintar outro. Eu desisti da vida social, eu abdiquei dos bens materiais, até de amizades eu abdiquei, mas o cabelo não, baby. O cabelo é a minha conquista pessoal, o meu troféu, é o meu melhor adorno. quero ele pra mim, tá bom? quero ser eu a decidir quando o corto e deixo de cortar. Já deixo até você escolher minhas roupas!! Mas antes fosse só isso. Também tem o meu passado, que você inventa e desinventa, pra fundamentar o seu não-gostar-de-mim. )

quarta-feira, 24 de março de 2010

clara luz

num instante de nuvens, eu me volto a si. por que o céu me mostrou que estou viva. não foi o céu, foi o escrever. nem foi o escrever, foi saber que a vida é instante, que a vida é sentir. Inclausurável. e por isso, infinitamente livre! e só por isso a liberdade está em mim, está em um céu azul de fim de tarde, está nas nuvens que se mostram em sombras. estou viva! há muito esperava pelo despertar.
e no entanto, o efêmero é o que permanece, porque o transmuto e retransformo. levo comigo o que sempre foi o que é e sempre será algo diferente.

Não moro mais na casa fraca, minha casa agora é sólida e intransponível. Só aqueles a quem convido podem fazer visitas.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

À Marcha ou Labor

Em tempos
o tempo anda seus caminhos

Sigo em desalento
o vulto do redemoinho

nada mal, estar sozinho
nada mal...

O caminho, em percalços perfazemos
bailando à marcha do tempo
Nada mal...

O labor, tem suor, o seu veneno
das masmorras fugiremos

Em seguir,
Prosperaremos.

Nada mal, um acompanhamento.
Nada mal.

terça-feira, 4 de março de 2008

Não sei se já te disse, amor-
Não , não disse não-
o tanto que gosto da tua boca.
do desenho carnudo dos teus lábios,
Do gosto especial que só ela tem.
Do sopro leve em minha nuca, que me arrepia toda por dentro.

Uma das coisas que mais sentiria falta, também
seria o peso da sua cabeça em meu peito,
o laço do seu abraço em volta de mim....

Ah...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O Congresso, a Universidade e a Lixeira.

O antigo ofício dos bureaus, que seria mais ou menos interpretados corretamente como escrivãos, os caras que ficavam sentados naquelas mesinhas com gavetas e escreviam para registrar todas as coisas que eram consideradas importantes e os processos pelos quais passavam, e depois guardava na gavetinha para posterior consulta. Agora esses caras foram substituídos e subdivididos, e tem um para pegar o papel e a caneta, um para escrever, um para ser testemunha e assinar, um para pegar o papel e levar até uma sala especial onde há um outro cara que pegará o papel e o colocará numa área específica onde outro cara irá procurar e pegar o papel e levar até a sala de outro cara que pegara o papel o lerá e analisará...a corrente é infinita.


O antigo ofício dos bureaus agora é algo maior, gigantesto, é um sistema, -um substantivo feminino- chamado burocracia. A burocracia é grande e gorda. Ela está em tudo, contra a nossa vontade, circunda-nos. Ela nos arrasta, como uma enxurrada, ao estilo daquelas que vem com a enchente do rio Tietê, que levaram carros, demoliram barracos, desmontaram barrancos . A burrocracia leva embora a sua crença na conquista, demole sua persistência, desmonta sua vontade de agir.

Brasília, capital do Brasil, sede das grandes instituições governamentais-Congresso, Senado, Tribunal Superior-, depósitos de processos e trâmites burocráticos, atravancamento de papelada administrativa, funcionalismo público na veia estabilizando a classe social dos aspones.Vivendo e funcionando com o único propósito, o de servir um bem maior, o confordo dos nossos representantes perante a sociedade, e daqueles que nos servem (ao governo), qualificados por uma competição acirradíssima, na qual poucos –que fazem cursinhos, compram livros e materiais de estudos, gabaritos ou funcionários - conseguem destacar-se.

(A burocracia é uma barragem, que retèm de um lado toda uma rede de negócios e transações que beneficiam uma classe já estabilizada socialmente, e do outro, impede aqueles de vida não tão previsível de conseguir algo próprio, de ter o controle sobre seus bens, seu nome, seu dinheiro, o direito de ir e vir.)

UnB, Universidade federal de Brasília, que não tem federal no nome mas é mantida pelo governo, mantida pelo pagamento das taxas cobradas pelo governo ao povo pela renda, pelas propriedades, pelas viagens, pelas compras. Encontro de pessoas com diferentes realidades, diferentes idéias, lugar onde fervilha o conhecimento, as relações pessoais, idéias inovadoras, hormônios exarcebados, futilidades, vaidades, exageros.

Encontro de pessoas de diferentes realidades com a monstruosa máquina burocrática, o fantasma da instituição respeitável, representado pelo nome de três letras- o U o N e o B. Ápice de Brasília capital do Brasil, Universidade do Brasil, que ensina aos alunos que A Instituição é poderosa, tem o controle da sua vida, e não há nada que se possa fazer contra ela. Ensina também que não são os bons que vencem, que os picaretas também ganham diploma e que alguns tem o apartamento reformado e lixeiras valiosíssimas, onde só é jogado o lixo de figurões importantes que passam por lá.

Os alunos aprendem a ficarem calados e começam a estudar para o próximo concurso público.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Réu

Quando os fantasmas se solidificam
é tua, e inteiramente tua
a culpa
de deixar escorregar pelos dedos a oportunidade de sair-se ileso
de entregar ao acusador a incontestável prova contra o réu.
É inteiramente tua culpa.

Foi o seu deslize,
de ser desatento ás coisas traiçoeiras,
assim como o seu caráter,
assim como sua índole
que você mesmo tanto conhecia.

Agora, agonize!
Noites em claro suando frio
com medo, aterrorizado,
pelos fantasmas que vem lhe sussurrar:
"Estás perdito...Nada mais te restas, a não ser se mortificar..."

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Poema incompleto

Só ele que me faz.
Só ele que me traz.
Só ele tem aquele...

Junto dele eu senti.
O tempo passou e quando vi
já não era mais.

Segui sem pensar na.
Tentei esquecer de.
Já que saber perdoar é.